Lavar a Alma

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Berkeley Review of Latin American Studies, Spring 2014

Pegs on a clothesline. (Photo by MollyBob.)
Pegs on a clothesline. (Photo by MollyBob.)

ADRIANA LISBOA
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LAVAR A ALMA

A alma precisa ser lavada à mão.

Não que seja de pano delicado,

nem que sangre tinta. Ao contrário,

a alma é bruta, e se não for lavada à mão

a tarefa não fica bem feita.  Apanhe

um sabão de coco — o mais barato serve.

Esqueça alvejante, amaciante,

alma nenhuma precisa disso.

Deixe de molho por algum tempo

a fim de tirar o encardido, as manchas

de gordura, de lama.

Depois esfregue no tanque,

torça e estenda ao sol. Não requer

que se passe a ferro. Lavada assim,

a alma pode ser usada

ainda por muitos anos,

uniforme ideal a esta escola

de obstinação que é o corpo,

que é o mundo.

SOUL WASHING

The soul must be washed by hand.

Not that its material is delicate,

or bleeds dye. On the contrary,

the soul is hard-wearing and the only way

to get it clean is by hand-washing it. Take

some household soap – the cheapest will do.

Forget bleach, fabric softener,

no soul needs that.

Let it soak for a while

to remove stubborn stains,

grease, mud, ketchup spills.

Then rub it in the sink, wring it out

and hang it in the sun to dry. Ironing

is not required. Washed like this,

the soul can be worn

for many years to come,

the ideal uniform for this school

of obstinacy that is the body,

that is the world.

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